TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

PALAVRA FINAL: O ALÉM DO HOMEM







(Dalí - turning point)



Tenho plena consciência de que tudo quanto eu escrevi até agora constitui um rio caudaloso, uma pororoca, sobre a qual você, leitor ou leitora, pode surfar ou, então, na qual você pode mergulhar e contemplar e, até mesmo, pescar os peixes que são arrastados por suas ondas, ou, ainda, naufragar para sempre e abandonar o grande rio que, um dia, chegará ao oceano e, embora sejam volumosas as águas desse rio, não conseguirá interferir, a não ser minimamente, na temperatura, na cor e no gosto da grande salmoura. Mas será apenas o começo. Outros rios hão de vir e despejar tantas águas que, numa alvorada qualquer, até o oceano se sentirá incomodado. Nesse dia, o obscurantismo começará a ser vencido e o homem que emergirá desse oceano de barbárie será, afinal, o além do homem.



4.10.2006

FIM




(Esta é uma obra acabada e fechada em si mesma. Não terminam, no entanto, as ruminações do autor: possíveis acréscimos, imbricações e desdobramentos deste texto deverão ter continuidade num provável novo TRAPICHE DO ATEU II, no qual manterei ou não a coerência das ideias aqui esboçadas. O homem muda e seu pensamento também. Obrigado a todos que tiveram ou terão a paciência de ler todo ou parte do que escrevi, sem nenhuma pretensão de estabelecer qualquer tipo de doutrina ou regra, mas apenas discutir o fim do deísmo e o estabelecimento de uma sociedade livre, totalmente livre de ideias metafísicas.)





sexta-feira, 9 de setembro de 2011

CONSTRUÇÃO E DESCONSTRUÇÃO DOS DEÍSMOS



(Fritz Aigné)


Também os demais deísmos espalhados pelos inúmeros recantos da Terra foram fruto da ignorância da relação do homem com as forças da natureza e da tentativa de interpretação dessas mesmas forças por indivíduos mais espertos que os outros, que se denominaram intermediários da relação entre os homens e o desconhecido, por sua vez interpretado como demonstração da existência de deus ou deuses criadores ou administradores dessas forças. Por mais que, afogados na estupidez dessas crenças, os sumos sacerdotes dessas crenças ameacem e persigam aqueles que não os seguem, todas, absolutamente todas as seitas e religiões deístas se incluem no conjunto construtor do edifício deísta que, um dia, vai desabar. Naturalmente, como já frisei. Independente da vontade de quem quer que seja, como reitero. E quando todo esse edifício podre ruir, o homem ficará completamente desnudo diante de si mesmo. Trapezista que se vê solto no espaço sem rede, o alumbramento da verdade cegará as mentes não preparadas para a verdade. Felizmente, como já afirmei e, cansativamente, torno a afirmar, esse processo de destruição do discurso deísta levará séculos, talvez milênios. Só espero que não venha tarde demais.



terça-feira, 6 de setembro de 2011

CRISTIANISMO É SÓ DISCURSO



(Cunde Wang)


A construção do edifício deísta cristão e ocidental foi um longo processo de construção de um discurso. Somente discurso. O homem se deixa levar pelas palavras, mais do que pelos fatos. As únicas provas da existência dos deuses ocorreram no terreno da pseudo-lógica, através de argumentação complexa, onde o discurso substituiu e subverteu a lógica dos fatos e, tirando a comprovação do terreno da ciência ou, pelo menos, do experimentalismo, para o transcendente, obteve uma das mais fantásticas elucubrações humanas. Esse majestoso edifício contou com a base filosófica grega, Sócrates, Platão, Aristóteles e todos os construtores de transcendência, para, através da sagacidade de Tomás de Aquino, obliterar de vez o pensamento racional, levando o homem pelos caminhos da fé cega, da crença absoluta. Para isso, contou, é claro, com as próprias necessidades humanas de superar suas dores, suas decepções e, acima de tudo, com a vontade humana, demasiado humana, de imortalidade.



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O RESPEITO



(Shirokova Inna - mother and daughter)


Já disse e repito: não há absolutamente nada para se colocar no lugar do deísmo. Ou seja, não acreditar em deus ou deuses, em metafísicas e transcendências não implica buscar novas formas de crenças, de fé ou de metafísicas. No entanto, não há desespero ou pessimismo no pensamento ateu. Pessimismos e desesperos são condições do homem, além de quaisquer crenças filosóficas e são atinentes a estados mentais, a situações de vida, a condições químicas do cérebro e, até mesmo, dos demais órgãos de nosso corpo. Portanto, não há pessimismo no pensamento ateu. Há apenas a liberdade. Não pensar em deus, não cultuar doutrinas baseadas apenas na fé, não aceitar a metafísica, tudo isso é libertar a mente para aceitar as leis da natureza, é voltar o pensamento para o homem e criar uma nova forma de humanismo, em que o homem passa a ser, efetivamente, o centro de suas próprias preocupações, sem que isso o leve ao egocentrismo, à arrogância de pensar que é criatura e, portanto, pode fazer e desfazer o mundo em que vive, porque está tudo escrito ou determinado por uma consciência superior. Pensar de forma ateia é libertar o homem do determinismo torpe em que ele se jogou até hoje e poder olhar o futuro como construção e não como fato consumado. O ser humano evolui a cada segundo, mas essa evolução é lenta e cautelosa. Não depende de forças externas à própria vida e à natureza: só depende de si mesma, da composição de fatores que devem fazer que o homem supere o estado de barbárie em que se encontra, agravado por pensamentos mágicos. Há que cessar a matança. Há que controlar a explosão demográfica. Há que se consolidar o pensamento de que a vida é o único bem e o mais precioso de todos. O homem caçador de si mesmo deve dar lugar ao homem planejador, racional e humano, livre de toda e qualquer peia que lhe trava a possibilidade de buscar o seu próprio destino. Mas há um longo, longuíssimo caminho até que isso venha a acontecer. Não estou prescrevendo a eliminação do deísmo a ferro e fogo. Porque seria trocar uma barbárie por outra. O despertar da consciência é um projeto natural da condição humana. Vai acontecer, independentemente dos esperneios e estrebuchos deístas, das maldições que lançam sobre aqueles que pensam diferente os que temem perder o fio da vida, porque não há mais deuses, porque não há mais fé. A essas mentes opacas e obscurecidas pelas crenças inúteis só posso deixar o meu riso de compreensão, não de escárnio. Devo dizer-lhes que o seu deus, a sua fé e as suas crenças metafísicas ainda viverão e sobreviverão por muitos e muitos séculos, para desgraça da evolução do pensamento verdadeiro e natural do ser humano. E quando acontecer a destruição completa de todos os altares, as piras ainda arderão por outros tantos e tantos séculos. O pensamento ateu, a descontaminação ecológica do pensamento humano, isso não é exatamente um projeto com o qual eu esteja comprometido ou pelo qual alguém possa lutar, mas é a evolução natural do pensamento humano. Um dia acontecerá. Naturalmente. Sou, infelizmente, para desgraça de muitos, somente um arauto, nem profeta nem desbravador, apenas alguém, infinitamente pequeno, nesse mar de angústias que assola a humanidade atolada em miséria, em guerras, em destruição, que tem um ainda infinitamente pequeno alumbramento das possibilidades do homem, alguém que apenas luta para uma humanidade um pouco melhor, apesar de todos os instintos animalescos que fazemos questão de conservar e cultuar. Não tenho compromisso com nenhum ramo de pensamento, com nenhuma organização ou seita ou partido político ou academia ou seja o que for que se inventou para reunir pessoas. Não têm minhas diatribes nenhuma intenção de arregimentar seguidores ou influenciar pessoas. Por isso, não faço nenhuma questão que me leiam, que me compreendam, ou mesmo que ouçam minhas palavras. Discuto-as, sim, porque sou livre para isso. Mas não as imponho. Apenas não quero mais ouvir os argumentos dos deísmos estupidificadores, porque já os conheço há muito, já os degluti e vomitei há tantos anos, que não tenho mais paciência para historinhas ou contos de fadas e duendes. Não mais preciso deles, como eles não precisam de mim. Quero, apenas, que eles se calem, pelo menos em relação a mim. Assim como tiveram o direito de envenenar a mente humana por tantos milhares de anos, posso reivindicar para mim um segundo de atenção, uma gota de orvalho na infinidade do meio aquático, para, humildemente dizer que há caminhos diferentes para a mente do homem trilhar, muito além das metafísicas e das transcendências que criaram como obrigação ab-ovo do pensamento humano. A liberdade de ir além, de buscar, de não nos deixar envolver por raciocínios criados para embaralhar a percepção da natureza e de suas leis deve ser o primeiro passo para que possamos dar os primeiros passos para o entendimento entre as pessoas, baseado num princípio fundamental e numa postura que nenhum deísmo até hoje levou ao pé da letra: o respeito.