TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

terça-feira, 19 de julho de 2011

SEXO E RELIGIÃO



(Carracci - Jupter et Junon)



Sexo e religião. Um tema complicado. Porque se misturam, de uma forma absurda. Pergunto: por que são as religiões tão preocupadas com o sexo? O cristianismo sataniza o máximo possível toda e qualquer manifestação sexual humana que não tenha por objetivo a procriação. É doentio, isso. A preocupação de todos os teólogos, não importa a qual seita pertença, com o controle da sexualidade contém uma patologia que não se coaduna com os tais princípios da criação. Porque, se deus criou tudo o que existe, também criou o sexo, a sexualidade, com todas as variações possíveis. Não vou nem cair no ridículo da discussão inútil de que o ato criador é um ato sexual. Isso apenas traria a ira inconsequente dos deístas e não levaria a lugar algum. O que me incomoda, nessa excessiva preocupação deísta, existente em praticamente todas as religiões, em demonizar o sexo, é que não há nisso nenhum objetivo aparente, não há nenhum motivo real ou imaginário. Por que o ato sexual, seja ele praticado de que forma for, ofende tanto a natureza desse deus? Não me venham os teólogos com suas citações canalhas de textos da bíblia ou de outros textos ditos sagrados ou de autores antigos, filósofos ou teólogos, a justificar que deus é assexuado e sexófobo por isso ou aquilo. Não há explicação lógica. Em que o ato sexual poderia apresentar-se como antirreligioso? Principalmente sabendo-se que ninguém, absolutamente ninguém, até há pouco tempo, nasceu sem que um homem e uma mulher tivessem relações sexuais (e é ainda mais estranha a irritação dos deístas com a ciência, por descobrir métodos de concepção artificial, como a reprodução in vitro ou a clonagem. Mas isso é outro assunto). Ouso levantar uma teoria, provavelmente tão absurda quanto a própria idéia de que o sexo é ofensivo ao criador. Talvez a aceitação da sexualidade humana, desprovida de qualquer outro objetivo que não seja o de procriar, contamine de forma definitiva a própria idéia da existência desse deus, por ser o ato sexual uma ação animalesca, no sentido mais puro da palavra, isto é, o homem faz sexo exatamente como os animais, tendo, porém, um componente a mais: o prazer consciente do próprio prazer. O homem procura a fêmea ou vice-versa por um instinto animal, o que contraria a ideia de que tenha sido o homem criado à imagem e semelhança de deus. Mas aceitar o sexo como forma de prazer é aceitar a ideia de que deus também o pratica e com ele também obtém prazer, o que pode ser uma idéia tão tola quanto rejeitar aquilo que cientificamente está provado: que somos, sim, seres provenientes da evolução, e conservamos em nossos genes instintos primitivos de sexualidade e de violência, ligados ao instinto básico de todo ser vivo, a preservação da espécie.



2 comentários:

  1. "Olhem mas não toque. Toque, mas não prove. Prove, mas não engula".
    (Advogado do Diabo)

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    METAFÍSICO

    O amor é mágico e profundo.
    Foi de um místico ato sexual
    Que se formou o mundo
    (J. C. M. S. )

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  2. Pois é... A visão deturpada do sexo que as religiões têm hoje se deve a vários fatores. Primeiro é o fundamentalismo, ou seja, a interpretação radical de um texto sagrado, sem se preocupar em que circunstâncias e quem o escreveu. Depois, vemos governantes e líderes religiosos usando estes textos ou dogmas para oprimir o povo que possui menos conhecimento. Outro problema é que a humanidade perdeu a capacidade de ver em tudo um ato divino, não só na sexualidade, mas também no ato de comer, de beber e mesmo de guerrear ou morrer. Tudo isso era sagrado. Como perdemos a capacidade de santificar, tudo tornou-se demoníaco. Para tentar "religar" tudo isso ao sagrado, surgiu as religiões (os 10 Mandamentos de Moisés é uma tentativa 'militarizada' para reverter a situação, mas não funcionou. Como cantou Diana Pequeno, ainda hoje o "Amor é pecado e o trabalho um fardo" e assim, a vida segue esse "presente mal dado". Ademar de Oliveira.

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