TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

terça-feira, 24 de maio de 2011

PERMANÊNCIA GENÉTICA



(Adela Leibowitz - masque of the red death)




A noção de inferno é tardia e só assusta, mesmo, aqueles que são extremamente ingênuos em sua fé. Essa crença ilógica e confusa, com seus ritos de passagem, com suas complexas construções de estruturas paralelas e contínuas da vida terrena, tem sustentado a maioria absoluta dos homens em seu estado de equilíbrio mental. Olhando de uma forma bastante benevolente para esse tipo de crença, pode-se dizer que foi a forma genial que a natureza, através do cérebro humano, contribuiu para que o homem não tivesse plena consciência de sua fragilidade e não enlouquecesse. O sentimento de vazio que a muitas pessoas afligiria durante toda a sua vida é preenchido pela falácia da possibilidade de sobreviver à própria morte. Não fosse esse culto tenebroso, talvez a humanidade não tivesse atingido os estágios de evolução em que está hoje. Teria trilhado, possivelmente, outros caminhos. Teria percorrido outras ciências e construído outras civilizações. Como seríamos, hoje, sem essa crença, é impossível dizer. Nem mesmo podemos afirmar, com absoluta certeza, que os outros caminhos teriam sido os melhores. No entanto, já levamos longe demais esse tipo de raciocínio: o homem já está maduro para aceitar as condições impostas pela natureza e pela vida para que ele continue a buscar o entendimento de mistérios que ele mesmo criou. Aquilo que seria uma forma de enganar a nossa psique e nos fazer aceitar as regras da natureza, quando tivermos consciência de nossa morte, passa a ser, agora, um fardo demasiado grande para a humanidade carregar, quando essas crenças se transformam em instrumentos de exclusão, de atraso científico ou em instrumentos de tentativa de dominação de um povo sobre o outro, ou ainda, o que é muito pior, em instrumentos de destruição da própria humanidade, através da aceleração de formas de destruição em massa. As crenças deístas e espiritualistas que, de forma canhestra, contribuíram para que o homem aceitasse o seu destino, transformam-se agora em formas de escravidão da mente humana, ao não permitirem que ele consiga dar passos decisivos para a preservação de sua espécie, imbuídos que ficam todos em lutar uns com os outros para dominar as forças da natureza e distorcê-las a favor de interesses absurdos que podem levar à destruição do próprio planeta. É preciso que uma lufada de lógica e lucidez possa percorrer a mente humana. Só assim poderá o homem retomar consciência de que sua permanência no globo terrestre é apenas genética e, claro, cultural, mas jamais espiritual.



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