TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

MEDO DA MORTE





(Jules Joseph Lefebvre - La verité)



O homem é o único animal que tem noção de sua própria morte. E não a aceita. Pensar que vai desaparecer para sempre e que tudo quanto acumulou de bens materiais e de experiência de vida e conhecimento vai virar pó deixa-o angustiado e propenso a acreditar na primeira ideia de eternidade ou espiritualidade que lhe venha à mente. Para driblar o mais terrível dos medos, a morte, o homem inventa e reinventa cultos a deuses, como forma de tentar amenizar o sofrimento da perda de si mesmo. Não admitimos que, ao morrer, nós nos perdemos. Somos pó e ao pó voltaremos é a única lição válida. O único destino que não nos escapa. A fragilidade da vida transforma-se em tragédia, através da consciência de que morreremos. E morrer é perder mais do que a vida, é perder a si mesmo, destruir-se, aniquilar-se. A carcaça inútil presta-se tão somente a adubar a terra ou a servir de estudos para curiosos de plantão. Não valemos absolutamente nada. E esse sentimento de perda de si mesmo constitui-se na mais terrível ameaça ao homem, ao seu ego, àquilo que se constrói durante toda a vida. Se vamos desaparecer, para que vivemos, então? A tentativa de compreensão desse interregno, que se chama vida, entre o nascer e o desaparecer, tem sido a mais frustrante obra de observação do homem sobre a Terra. A necessidade de autopreservação faz que o homem invente ritos funerários. Exorciza, assim, o medo da morte, mas não a impede, o que o leva ao desespero. Ou ao absoluto estado de inconsciência a que denomina crença em um deus ou na vida além da morte. São formas de entorpecimento as falácias humanas a respeito de almas, espíritos e outras reencarnações. Destroem a capacidade humana de viver plenamente a vida, ao fazê-lo gastar tempo e emoção na preparação para uma vida futura e na esperança de uma nova dimensão, numa outra forma de vida, chamada espiritual. A isso dedicamos grande parte de nossa existência, plano de fuga para a fuga final, certos de que, ao apagar-se o nosso cérebro, um deus justo e generoso nos receberá no outro mundo, para vivermos no paraíso.



Um comentário:

  1. A MORTE

    A morte, ironicamente, ri
    E sussurra aos quatro ventos:
    “Ninguém quebrará
    O meu silêncio”.

    É, com ela não há argumento.
    Conclusão, certa, que ninguém quer.
    É f... Pensar nesse fato cruel.
    Ela é o paradoxo da linha
    De chegada.

    Não tem escapatória,
    Não tem lero-lero,
    Nem vem cá que eu não te quero.
    Uma coisa é certa,
    Depois que a gente morre,
    Todos os problemas já eram...
    .

    Mas como estamos sempre
    Atrás de problemas
    E tentando superar Deus, ou
    aquilo que cada um o conceda,
    Que ela venha,
    Mas, como disse Raul Seixas, que pra ele de nada adiantou,
    “Vem, mas demore a chegar
    Eu te detesto e amo
    Morte, morte, morte que talvez
    Seja o segredo desta vida”...

    PS: Sentir que não há nada mais
    Além da morte, É f5*¨3@6=!!!
    Será lamentável ter vivido essa suposta ilusão.
    Mas, como lenitivo, como lampejo de consolo, fezinha, qualquer coisa assim, creio que o que é sempre tornará ser ou seja a vida é muito mais que essa vida.
    Amém pra todo e sempre!

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