TRAPICHE DO ATEU

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sexta-feira, 4 de março de 2011

OS PARTIDOS POLÍTICOS NA REPÚBLICA IDEAL



(Airton das Neves - soltando balão)

A palavra república tem o significado que todos conhecem: coisa pública. O conceito de governo democrático passa, necessariamente, pela república. Ignoro e desprezo solenemente qualquer outro sistema que tenha por governo, de mentirinha ou não, algo parecido com reis, rainhas, príncipes etc. Ou governos que tenham por origem o dedo de deus, as teocracias. Nem monarquias nem teocracias, por mais que se disfarçam, podem ser consideradas representantes democráticas de governos republicanos. E governo republicano implica representação popular. Ou seja: participação direta do povo na escolha de seus representantes. Como os países são, em geral, populosos, a saída foi constituírem-se partidos políticos que teriam, teoricamente, o papel de escolher os representantes populares, através de listas de candidatos alinhados a princípios filosóficos e ideológicos do partido. Aí, no entanto, começou a encrenca. Os partidos políticos não representam o povo. Representam, no máximo, a si mesmos, ao se constituírem em ninhos de membros das elites que têm uma só preocupação: eleger-se e perpetuar-se no poder. Os tais princípios filosóficos e ideológicos foram para o brejo, submersos pela visão utilitarista do voto, do poder a qualquer custo. Tornaram-se organismos viciados e viciosos, de troca de favores, de balcão de barganha para negócios escusos com o único objetivo de conquistar o poder. Perderam o trem da história. Não servem para mais nada, no atual estágio de democracia republicana que tem por objetivo não o poder pelo poder, mas os interesses populares. Há muito, não representam mais esses interesses, perdidos em picuinhas e lutas internas e externas para ganharem cada vez um naco do dinheiro público. Por isso, devem passar por uma reestruturação total e absoluta, para não serem expurgados definitivamente da vida republicana, o que seria um mal maior. Não se pode jogar a água da bacia com a criança dentro. Não vejo outra saída para os partidos políticos a não ser a completa remodelação desse modelo estagnado e esgotado, com uma nova visão que acabe com os políticos sem eliminar a arte política. Os partidos podem, e devem, ganhar uma nova missão e, com ela, mais importância. Desde que se transformem em usinas de concepções ideológicas da sociedade, de teorias, de projetos e de planos de governo, geridos por uma estrutura extremamente enxuta, dirigidos por homens que não tenham outro ideal que não seja servir à sociedade e aos interesses da comunidade. Idealistas que fundam e participam do partido, orientam suas diretrizes, fiscalizam o cumprimento dessas diretrizes pelos eleitos sob sua legenda, mas que nunca, em tempo algum, poderão ser votados ou escolhidos para qualquer cargo público. Membros - presidentes, secretários etc. - que possam, portanto, deter o poder de eleger, de definir rumos para uma sociedade, em consonância com essa sociedade, mas que não podem governar.



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