TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O CONSERVADORISMO DO HOMEM COMUM




(Carolus Duran - Inverno)




O problema maior nessa construção civilizacional por parte do homem comum constitui-se no seu conservadorismo. Os avanços, quando existem, são lentos e difíceis de assimilar. A história do homem comum é feita de pequenos incidentes que podem levar a grandes conquistas ou a grandes desastres, mas é sempre um processo lento, tendente a conservar aquilo que se conquistou, mesmo que a conquista anterior não seja a melhor para o conjunto da humanidade, embora seja perfeita para uma comunidade relativamente restrita. O povo, ao conduzir o processo histórico, tende a ter uma visão limitada desse mesmo processo, objetivando quase sempre o imediato, o restrito, o que lhe convém naquele determinado momento histórico e naquele determinado espaço territorial. E isso, muitas vezes, colide com os interesses maiores da humanidade. A ocupação de uma área pública ou privada por moradores sem teto e a consequente construção de moradias nesse espaço pode parecer, à primeira vista, uma grande conquista social. No entanto, se essa área ocupada se constitui em área preservada por ser, por exemplo, de mananciais estratégicos para a manutenção do fornecimento de água para toda a sociedade, isso não é levado em conta no processo de ocupação, com sérias consequências ecológicas para todos. Assim, também, ocorre na Palestina, com a ocupação por parte de colonos judeus de áreas que poderiam servir como ponto importante de negociação com o povo palestino, em busca de uma futura e duradoura paz entre os dois povos. No entanto, uma parcela do povo judeu, com os olhos apenas na sua possibilidade de perda imediata, sobrepõe-se a uma visão mais ampla de paz e impõe a sua vontade, resistindo à desocupação dos territórios em litígio. O povo, quase sempre, tem uma visão muito pragmática da vida e uma concepção utilitarista dos recursos públicos, o que o torna, muitas vezes, um empecilho para uma verdadeira revolução. Aliás, o povo nunca faz revolução, porque o conceito revolucionário implica mudanças, a que o povo, em geral, é refratário.



Nenhum comentário:

Postar um comentário