TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

NÃO SOMOS O ÚLTIMO ELO DA EVOLUÇÃO



(Caravaggio - Davi e Golias)





No entanto, não nos iludamos: há ainda um longo caminho a percorrer para superar os instintos primitivos e reacionários que convivem nos genes e no pensamento do homem. Além do mais, a evolução não segue como um rio calmo, nem suas águas se encontram todas no mesmo estágio. Enquanto há homens (e não estou me referindo a tribos ou sociedades ou nações) que nascem com os instintos reacionários e primitivos mitigados, há muitos outros que ainda os têm em plena manifestação. E isso independe do grau de inteligência que possam ter os indivíduos. Há monstros inteligentes e sensíveis, enquanto há artistas com temperamento agressivo e assassino. A barbárie ainda tem, em larga escala, guarida no pensamento humano. Seja por motivos religiosos, políticos ou pessoais, mata-se muito e por qualquer razão ou sem razão nenhuma. Não conseguiu, ainda, o homem superar o instinto primitivo de matar, de destruir, de conquistar. Posso dizer, sem medo de errar, que são poucos, muito poucos, ou até mesmo quase impossível de se encontrarem, os seres humanos em que esteja ausente o primarismo, o reacionarismo ou a barbárie. Mesmo os que se apresentam como paradigmas do que se chama comumente bondade, reagem de forma irracional com maior ou menor potência às injustiças ou às ameaças. Os cristãos costumam ver na figura mítica de seu profeta o paradigma desse tipo de ser humano imune à barbárie, mas se esquecem de sua reação diante dos vendilhões do templo, o que é menos grave, ou de sua pregação de que serão excluídos do reino do céu todos os que não o seguirem, o que é muito mais grave, por construir uma doutrina de incluídos (os fiéis) contra os excluídos (os infiéis). A tolerância cristã vai até um certo limite, o do pecado. A partir daí, tolerância zero para os pecadores, para os blasfemadores e os hereges: queimarão todos no fogo do inferno ou agora ou no dia do juízo final. Portanto, não somos os seres que gostaríamos de ser. Não somos, de forma alguma, o último elo da evolução. E somente a possibilidade de construir um futuro mais digno para o ser humano permite que nossa imaginação nos leve a sonhos utópicos ou ao verdadeiro caminho de um mundo onde a guerra e a matança sejam a exceção e não a regra.



Nenhum comentário:

Postar um comentário