TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CONCEITO DE CIVILIZAÇÃO





(Bruegel - o triunfo da morte)



O conceito de civilização talvez seja o mais complexo para o homem. Antropologicamente, até se pode resolver o problema, através de certos indicadores encontráveis ou não nos agrupamentos humanos. Porém, são todos indicadores de tecnologia, propriamente dita, e não de civilização. Há, na história, povos avançados em relação ao seu tempo, por terem uma tecnologia de ponta, em determinados setores, e serem extremamente cruéis em relação a inimigos ou a práticas religiosas, como sacrifícios humanos. Ficamos boquiabertos diante das pirâmides maias, por exemplo, esquecendo-nos da barbárie que cometiam esses povos pré-colombianos em suas práticas religiosas. Consideramo-nos civilizados ou olhamos para cima, para os irmãos do norte, extasiados, diante de sua capacidade tecnológica, e não percebemos o quanto de barbárie há nas decisões de seus presidentes de invadir e liquidar países, em nome do combate ao terrorismo. O Iraque aí está para não nos deixar iludir com o comportamento bárbaro de nossos irmãos do norte. Os Estados Unidos da América conservam o mesmo ânimo guerreiro e genocida de seus tempos de conquista do Oeste. Mudaram os índios, que já foram há muito dizimados e não mais oferecem perigo. Mudaram os métodos, pois os antigos rifles tinham capacidade limitada. Agora, mísseis de alta precisão fazem ataques cirúrgicos, numa guerra em que o inimigo é aparentemente invisível: à distância, o peso na consciência se esfuma, pois a ilusão faz do combatente apenas aquele indivíduo que aperta botões e fica sabendo por sofisticados instrumentos de detecção que seu projétil atingiu o alvo, ou seja, não há corpos ou sangue à vista, apenas a fumaça distante ou, quase sempre, apenas um ponto no radar. Assim, o genocídio torna-se corriqueiro, como eram corriqueiras as matanças de indígenas no velho Oeste. Os indígenas não tinham alma, eram seres brutos e brutalizados, que impediam o desenvolvimento. Assim também devem pensar os dirigentes estadunidenses, quando dão ordens de invasão de um povo como o iraquiano e destroem cidades como Bagdá, apenas para satisfazer o seu desejo milenar de sangue: por mais que se desculpem com o combate ao terrorismo islâmico ou de origem islâmica, o que verdadeiramente está por trás de tais desculpas é o velho e milenar desejo de sangue, de guerra, de conquistas, para firmar a supremacia de um povo. E ousam chamar civilização o conjunto de tecnologias que lhes permitem matar mais em pouco tempo e a distância, ou seja, com o mínimo de baixas. Isso, absolutamente, não é civilização.



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