TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

SEXUALIDADE HUMANA




(Almada Negreiros)





Há apenas dois sexos: o masculino e o feminino. E muitas sexualidades. Os meios de comunicação e a modificação dos costumes escancaram uma realidade que ficara oculta ou restrita a pequenos grupos há muitos e muitos séculos: a variedade de manifestações sexuais entre os humanos. O homossexualismo, aos poucos, começa a abandonar o gueto de degeneração e ignomínia a que ficara relegado, para se constituir num segmento importante em várias sociedades. E no rastro da maior tolerância ao homossexualismo, formas alternativas de realização sexual despontam em todos os níveis sociais, a demonstrar que a genética humana, responsável por tantas variedades, continua e continuará fazendo suas experimentações, como sempre. Os preconceitos persistem, como grandes muralhas a serem transpostas, mas há sinais claros de que, através da sutileza de cavalos de troia ou pela força de potentes aríetes, a cidadela começa a dar sinais de queda. A sociedade ainda se espanta com demonstrações diferentes da sexualidade, condenando-as como atentatórias à moral ou rotulando-as de exóticas, mas não pode mais deixar de reconhecer sua existência. O diferente sempre provocou reações, ou de indiferença e afastamento ou de ódio e violência. Quando os espanhóis chegaram ao México, o estranhamento entre as duas civilizações levou o exército de Cortez a cometer um dos maiores massacres da história humana, em nome de uma pretensa superioridade da civilização europeia cristã. E assim foi em todas as guerras de conquista: o estranhamento quase sempre levava a guerras e à escravidão do mais desprotegido. A neurose em relação à invasão da Terra por seres interplanetários povoou e povoa a imaginação de escritores, cineastas etc. de seres monstruosos, todos prontos a devorar e destruir os pobres terráqueos. Instala-se, assim, na mente das pessoas, o medo pelo diferente. Também no terreno da sexualidade humana, o diferente apresenta-se como ameaça, como se o fato de dois seres se unirem de forma não convencional fosse fazer desmoronar a tal civilização cristã.



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