TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

OUTRAS SEXUALIDADES



(Foto de Wladimir Kalinin)



O moralismo sexual tem causas claras na tradição milenar de quase todas as religiões, principalmente a cristã, cujo deus macho criou o mundo como um paraíso. E um crime sexual, a tentação da primeira mulher, transformou-o num vale de lágrimas. Para redimir o pecado original, de origem sexual, um novo deus é mandado ao mundo através de uma virgem, uma mulher sem pecado, porque não fez sexo, embora pudesse ter cometido mil outros pecadilhos, no conceito cristão do termo. Assim, os seminários e conventos estão abarrotados de seres que vivem uma meia vida, sem sexo, pelo menos não declarado. E o sexo constitui uma das preocupações mais constantes de toda a literatura cristã, na condenação tanto de seus excessos quanto de suas diferenças. Apesar disso, os homossexuais abriram brechas importantes neste edifício moralista e excludente construído pela moral deísta. A corrente conservadora, aliada à ignorância dos próprios seres diferentes, cria, no entanto, categorias absurdas de sexualidade, procurando excluir dos dois sexos existentes na natureza, o masculino e o feminino, os que se apresentam com uma sexualidade diferenciada. Assim, fala-se de travestismo como se o travesti fosse um outro sexo, uma espécie de monstrinho antinatural. E eles mesmos, os travestis, falam e agem como se fossem um terceiro sexo, e até reivindicam essa condição. Os transexuais fazem o mesmo, ignorando a própria natureza, como se o fato de ganharem um pênis ou perderem um pênis fosse suficiente para se mudarem para o outro sexo, como se muda de lado numa rua. Eu acredito que a insistência em categorizar os seres cuja sexualidade seja diferente em diversas espécies sexuais só contribui para excluí-los e aprofundar o preconceito dos moralistas. Aceitem-se como são: travestis, transformistas, transexuais etc. são homens ou mulheres com sexualidade diferenciada, mas, se nasceram homens são homens e, se nasceram mulheres, são mulheres. Não se muda de sexo, simplesmente porque se fez uma operação que altera as formas externas da genitália ou do próprio corpo, mas um travesti, por exemplo, por mais parecido que fique com uma mulher é apenas um homem que parece mulher, tem trejeitos e características femininas, mas continua sendo um homem. E a essa opção sexual e de vida tem que ser dado o devido respeito, como a todo e qualquer ser humano.

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