TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

SOMOS EXTREMAMENTE PRIMITIVOS



(Alma Tadema - spring)




Temos que nos conscientizar que nós, homens do século vinte e um, somos primitivos, extremamente primitivos. Nosso sistema de produção industrial é podre e antiecológico, poluidor e destruidor do ambiente em que vivemos. Nossos sistemas políticos são primários e absurdos, pois ainda confiamos nossas vidas a seres humanos desprezíveis, guerreiros de quinta categoria, bárbaros que ainda pensam resolver os dilemas do homem com bombas, sejam elas atômicas ou caseiras. Nossos sistemas sociais são excludentes e obsoletos na sua forma de distribuição das benesses da tecnologia. Enfim, nossa sociedade atual é podre em aprofundar desigualdades, em criar ilhas imensas de excluídos, em não conseguir erradicar a fome, a miséria e as doenças endêmicas do mundo. O que chamamos hoje de civilização é apenas um arremedo da capacidade do homem de produzir desgraças e está muito longe do que seja realmente uma civilização. Noções espúrias de raça, de religião, de sistemas políticos antidemocráticos aprofundam diferenças entre os povos, como se o diferente não fosse o elemento mais importante da sobrevivência humana. O ser humano ainda precisará passar por centenas, talvez milhares de guerras de extermínio, de lutas injustas, de perseguições uns aos outros até que consiga compreender que não é esse o caminho, que precisa reciclar todas as absurdas crenças até então desenvolvidas, jogar no lixo toda a metafísica acumulada em milênios de superstições e noções erradas sobre a natureza, para obter finalmente o equilíbrio necessário à construção de uma verdadeira civilização. Que inclui restabelecer o equilíbrio do homem com as forças que tornam nosso planeta um ser vivo e instável, com seus humores, com suas provocações em forma de acidentes naturais, que o homem cisma em querer domar ou desafiar. Por isso, não há necessidade de coerência naquilo que escrevo, nisto que insisto em repetir sobre a capacidade do homem do futuro em relação a este homem de um triste tempo de guerras, extermínios, miséria e doenças.



Nenhum comentário:

Postar um comentário