TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A FÉ EMBRUTECE O HOMEM




(Barahona Possolo)




Quantos ateus há no mundo? Já vi estatísticas que dizem que 5% da população mundial não tem religião. Mas acredito que os ateus convictos não cheguem a 2%. Portanto, a influência do pensamento ateu sobre o mundo é mínima. Todavia, ouvem-se frequentemente líderes religiosos afirmar que o mundo está ficando materialista, que o homem só pensa em acumular bens e não se preocupa com valores espirituais, que o homem está-se afastando de deus, e outras bobagens mais. Ora, se noventa e cinco por cento das pessoas se dizem religiosas, como é isso possível? Os dois por cento de ateus não teriam representatividade para impor qualquer tipo de valor materialista ou para levar a humanidade ao afastamento de deus ou de quem quer que seja. Há aí o discurso apocalíptico de sempre: dizer que o homem está-se tornando materialista é sempre uma forma mais do que tradicional de amedrontar e ameaçar para mais e mais arrecadar dinheiro e outros bens para as religiões que esses indivíduos representam. Também é uma forma de roubar, literalmente, crentes de outras religiões. Pregar o fim dos tempos é sempre uma maneira de atormentar os intelectos mais susceptíveis, porque trabalha com um terror humano mais do que implantado em sua mente através dos séculos: a falta de fé e a perdição da alma para o demônio ou para qualquer outra força oculta que represente o mal. Aprofunda-se, assim, o maniqueísmo e conquistam-se as mentes fracas para o trabalho de convencimento, ou seja, quanto mais pessoas acreditarem nas bobagens salvacionistas, mais adeptos eles conquistam, numa espécie de histeria coletiva ou de convencimento pela quantidade. Não há saída para esse tipo de gente: eles se apegam a um conceito extremamente subjetivo e sumamente forte – a fé. Quando se pede a um indivíduo de razoável percepção intelectual que ele dê provas, por exemplo, da existência de deus, inapelavelmente ele nos remete à fé. Sem esse conceito nenhuma religião subsiste. Porque a fé remove montanhas e embrutece o intelecto do homem, tornando-o presa fácil das abstrações e absurdidades do edifício falsamente lógico das religiões. Nunca, em lugar algum do mundo, pôde-se provar, por exemplo, que alguém se curou efetivamente só com o poder da fé. Mas há milhões de depoimentos sobre isso. É impossível argumentar que as pessoas acreditam no que querem acreditar, por força do pensamento, que não há possibilidade física de alguém se curar só pela fé, que os casos relatados estão eivados de vícios de interpretação, que a observação humana de certos fenômenos é falha e que um fato dessa magnitude nunca se repetiu em ambiente controlado, mas sempre em rincões inacessíveis e com pessoas profundamente envolvidas com a necessidade de acreditar. Então, todos acreditam porque o fato é repetido à exaustão e é corroborado pelos proxenetas da fé, sempre atentos, sempre de plantão, para colher e distorcer os fatos até que eles se transformem na verdade que eles querem. Nenhuma imagem de barro pode realizar prodígios, e esses de fato não acontecem. As multidões, no entanto, continuam peregrinando em torno dos templos ditos sagrados em busca de curas milagrosas que nunca vêm porque ainda não é a hora, ou porque não é vontade de deus ou porque a sua fé ainda não foi suficiente para tocar o coração desse deus tão injusto que escolhe a seu bel-prazer a quem aquinhoar com um milagrezinho que contente um único ser entre milhões e milhões que o procuram. Um verdadeiro contra-senso lógico que as pessoas não admitem, porque estão imbuídas de fé. Acham que não conseguiriam viver sem a tal presença de deus, que não conseguem conceber o mundo sem ele, como se o mundo todo dependesse de uma vontade única e tremendamente mal humorada e injusta, a ponto de punir milhões com doenças e outros males e salvar um em cada bilhão com a maior desenvoltura, sem dar satisfação a ninguém. Esse deus – seja ele de que religião, credo ou filosofia for – é sempre um deus que cumpre a rotina de manipular a vida humana segundo a sua vontade, mas nunca faz com que um terremoto não dizime mais de duzentas mil vítimas inocentes ou que a vontade de um só homem leve a morte a milhões de outros seres humanos em nome de valores terríveis de supremacia de um povo sobre o outro. Um deus que cria um mundo de leis matemáticas e físicas complexíssimas e, ao mesmo tempo, tem esse mesmo mundo preso à sua vontade, pois os cristãos chegam a dizer que nem uma folha de árvore pode cair sem que deus queira. Ora, existe estupidez maior? Acreditar numa bobagem como essa é contrariar a mais elementar regra de lógica e de bom senso. No entanto é nisso que esses deístas acreditam e impõem como verdade absoluta à quase totalidade da população do globo. E depois querem colocar como culpa do desrespeito às suas impossíveis regras de comportamento o materialismo do homem, ou seja, querem despejar sobre as costas dos que não acreditam em suas baboseiras a situação por que passa a humanidade, na visão deles. Não percebem e não vão perceber nunca, esses imbecis, que eles mesmos criaram leis tão absurdas que a maioria de seus seguidores é hipócrita o suficiente para, diante do sacerdote ou do representante do deus, se comportar de um jeito e na vida real de outra maneira completamente diferente, com mesquinharias, ódios, apego aos chamados bens materiais e outras barbaridade mais, justificando seus crimes muitas vezes hediondos com a fé nesse deus patético e estúpido.



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