TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

ARROGÂNCIA DO HOMO SAPIENS



(João Ruas - Enkidu & Gilgamesh)


A arrogância do homo sapiens fez com que ele se julgasse ou se julgue o rei da criação. Primeiro, não há rei nenhum na natureza. Segundo, também não há criação, mas evolução. E o homem é apenas um elemento na escala evolutiva. Proviemos da fantástica concorrência de milhões de fatores evolutivos até chegar a um cérebro e a um corpo com as características que temos hoje. Mas o nosso cérebro não é o único que pensa. Quando se diz racional, o homem se julga o único capaz de fazer relações sinápticas que levem ao abstrato. No entanto, nada há que comprove que os animais, mesmos os de constituição mais simples, não pensem, não estabeleçam relações de causa e efeito, por exemplo e não tenham memória disso. Se aceitamos a evolução como um fato científico, não há por que duvidar que nosso cérebro seja o produto da modificação de milhões de antecedentes e da evolução de um modelo que começou a dar certo. Portanto, dizer que são irracionais os animais que constituem experiências da natureza no seu processo evolutivo não parece o correto. Está mais para ignorância ou arrogância de nosso pensamento. Mais ainda: o conceito de racionalidade ainda está muito longe de chegar a um consenso. O que é racionalidade? Se formos pela origem da palavra, a ligação com “razão”, com aspectos lógicos de raciocínio, não teremos por que nos considerarmos racionais. Ou melhor, somos muito pouco racionais. Convivemos com a magia e a praticamos em larga escala. Isso é racional? Acreditamos em vida após a morte e em deuses que nos criaram. Isso é racional? Matamos indiscriminadamente, seja através de guerras, seja através de atos isolados. Isso é racional? Pregamos a paz e fazemos a guerra. Pregamos o amor e praticamos o ódio. Isso é racional? Achamos que os animais são irracionais, mas os nossos atos de barbárie estão em tal escala de violência, que nenhum animal é capaz de chegar. Eles, os animais, matam como um ato de sobrevivência – para alimentar-se ou defender-se. Já o homem mata sem nenhum motivo. Definitivamente, o homem é tudo, menos sapiens. Menos racional.


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