TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

sábado, 26 de junho de 2010

UTOPIA RACIAL HUMANA




(Abdalieva Akzhani)



A raça humana é una. Não há “raças humanas” ou sub-raças. O homem pertence à raça humana, como um cão pertence à raça animal. Entre os animais, sim, há sub-raças, sub-espécies. O conceito de raça pela cor da pele ou por outras características é resultado de conceituações absurdas e excludentes. Classifica-se para diferenciar, para excluir quando necessário, nos processos de sempre: por motivos religiosos, políticos, econômicos etc. Mas a raça humana não pode ser subdividida, porque não há base científica para isso: geneticamente, cada homem é diferente do outro, mas não há nada mais parecido um com outro do que cada homem ou cada mulher. Há povos negros, amarelos, brancos, loiros, morenos etc., frutos prováveis de separações regionais, de adaptações a climas diversos, mas a tendência futura, com a possibilidade cada vez maior de intercâmbio e aproximação, é que a raça humana diminua cada vez mais as diferenças e tenhamos, em longo prazo, características comuns a todos os povos. A genética se encarregará de manter as diferenças individuais mas aplainar as demais diferenças, através da miscigenação e da construção de uma cultura geral, de uma língua geral, de costumes gerais. Isso não quer dizer que não se devam – e, com certeza, tal fato ocorrerá – manter e conservar aspectos culturais, idiomáticos e de costumes de cada povo ou cada grupo social. Acredito que uma língua comum – como o esperanto, por exemplo – venha a ser adotada, mas cada povo possa conservar o seu idioma. Acredito que haverá um código comum de conduta nos relacionamentos, mas cada povo conservará suas festas, seus usos e costumes, sua música, suas danças, seu vestuário e culinária, seus gestos e modos de olhar e interpretar o mundo. A globalização esperada e desejada e, possivelmente, inevitável não deve ser a que irá destruir o patrimônio multicultural da humanidade, porque na diversidade reside a riqueza maior do homem. Um conceito único de humanidade não será empecilho para a imensa diversificação que caracteriza a cultura humana. Ao contrário, quanto mais globalizado o mundo, mais diferenças culturais surgirão e se aprofundarão, dentro de um respeito absoluto de cada grupo pelo outro. Será como uma lona de circo a cultura geral, globalizada, sob a qual convivam harmoniosamente milhares de grupos e subgrupos, numa troca constante de elementos que se tocam, se intercambiam, mas não se sobrepujam. Assim como um idioma comum, haverá, por exemplo, uma música comum, universal, de fácil aceitação por todos, mas haverá também milhares de ritmos especiais que manterão a sua pureza e terão lugar não só no gosto do grupo que a produz, mas em milhares de outros ouvidos que a apreciem pelo mundo afora. O respeito a essa diversidade constituirá o aspecto fundamental dessa utopia racial, a utopia da raça humana, ao mesmo tempo una e indivisível, vária e múltipla, funcionando de forma harmoniosa e distante da barbárie de preconceitos, de guerras absurdas e, principalmente, distante de deuses excludentes e vingadores.


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