TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

POR UMA NOVA UTOPIA



(Adela Abós)


As grandes revoluções, na verdade, ocorrem em laboratórios científicos, em institutos de pesquisas, em salas de aula das universidades que pregam uma nova forma de encarar a vida, nos grandes e pequenos agrupamentos humanos que buscam novas maneiras de convivência, na imaginação dos artistas que sonham novas fronteiras para a mente humana, enfim, as grandes revoluções estão no interior do próprio homem, na sua estranha e, às vezes, louca procura por novos paradigmas. Bem longe das missas e das pregações inúteis de pastores, aiatolás ou profetas. Bem longe de deuses. O homem do futuro deverá ser livre de tais amarras para poder discutir o que é melhor para si, sem interferências moralistas de sistemas rígidos de mandamentos inúteis. Acredito, sim, na capacidade do homem de ir além dos limites de crenças deístas castradoras. Mas, até que isso aconteça, há de lutar muito por uma nova ética de vida, de respeito à vida. Por uma nova ordem social que não determine por antecipação a existência de um ser humano de acordo com o estrato econômico em que ele nasceu. Uma nova ordem que defenestre para sempre o conceito de elites, sejam econômicas ou culturais, sejam de raça ou de direito “divino”. A ninguém deve ser dado ter predominância sobre o outro. Sobre todos, o predomínio da lei, da ordem e da justiça, igualitariamente distribuídos, sem a arrogância das atuais classes ditas dominantes. A nova utopia deve estar centrada na busca pela distribuição de bens e riquezas, de forma que a ninguém seja possível não ter o mesmo nível de oportunidade, independente do lugar em que nasceu, independente de sua origem. Aos governos, não mais relacionados a políticas de direita ou esquerda, categorias ultrapassadas por novas propostas de um socialismo mais justo, caberá apenas interferir o mínimo possível na vida do cidadão, garantindo a distribuição de bens básicos como assistência médico-hospitalar, educação, transporte, saneamento, segurança e justiça. Para isso, e somente para isso, serão pagos os impostos. Um estado que não oprima com seu tamanho e não tenha o direito de declarar guerra, de dispor da vida do cidadão, de estabelecer leis que não passem pelo crivo popular. Um estado mínimo, para o máximo de cidadania.



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