TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

terça-feira, 29 de junho de 2010

NÃO HÁ METAFÍSICA NO UNIVERSO



(Joseph Barbaccia - euphoria)


Entre o tudo e o nada navega o universo. Não há metafísica nisso. Apenas o girar gélido dos planetas e dos sóis e dos milhões e milhões de corpos nas galáxias. O universo é apenas isto: forças em luta, criação e destruição, vida e morte. Aliás, nem sei se se pode categorizar em vida e morte o que é apenas força em oposição. O universo tem em si mesmo o poder da criação e da destruição e oscila entre esses dois pólos num pêndulo que nossa capacidade de compreensão não alcança. Não há fim nem começo, mas o fim e o começo ocorrem ao mesmo tempo. E isso é a lei maior da vida ou o que chamamos de vida. Desde o átomo com elementos mínimos até as galáxias, as forças de criação e destruição se manifestam e lutam para manter ora o equilíbrio ora o desequilíbrio, num eterno retorno de simultâneos fins e começos. Não há metafísica nisso. Não há metafísica no embate das forças do universo. O homem nasce, vive e morre. Dentro dessas forças que não entende e não entenderá nunca, provavelmente. Sem deuses, sem almas, sem retornos. Apenas a vida a fluir nas veias como nas galáxias. Apenas o estar e o ser. Sem nada a ligar um ao outro, senão a própria perspectiva de viver. O mundo é apenas isto que vêem os nossos olhos ou percebem nossos sentidos e isso é muito mais do que pode imaginar o homem. Então, por que não olhar apenas o mundo e parar de inventar o além? Por que não apenas o que já existe e que já é tão maravilhoso? Será que o homem não percebe que, inventando mundos, criando o além, ele perde o contato com o mundo verdadeiro e, assim, perde o contato com a própria vida? Vã e inútil toda a filosofia humana que criou a metafísica para afastar o homem de si mesmo. Ao criar o criador, o homem deixou de criar e recriar a si mesmo. Ao acreditar em vidas além da vida, em almas e espíritos, em deuses e anjos, em categorias abstratas de seres que nos comandam de um impossível outro mundo, o homem está perdendo o próprio espetáculo da vida, deixando de entender a natureza e a si mesmo. Muito tempo foi e está sendo perdido com as crenças absurdas de mundos abstratos. O basta do homem a tudo isso, a essa estúpida metafísica, é que tornará o homem mais humano e não o contrário. É preciso reinventar crenças e destruir a fé que cega e obscurece. Crer deve ser apenas o ato de acreditar-se vivo e parte indivisível da natureza, nada mais. Um altar é só uma pedra sobre a outra ou pedaços mal arranjados de madeira podre para sustentar deuses absurdos. O deus precisou inventar a fé para sobreviver no imaginário do homem. E a fé está destruindo o homem. Destruamos a fé e nada restará do mundo podre desses deuses. Destruamos a ingenuidade humana e coloquemos em seu lugar a crença na vida, o respeito à natureza, a integração ao universo e estaremos restaurando a verdade e a vida. E com a verdade, um novo homem. E com a vida, um novo modo de encarar a existência. E então, o homem, diante da verdade e da vida, será um ser livre para cumprir com dignidade a sua existência.



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