TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

HISTÓRIA, PODER E DEMOCRACIA




(Aaron Board)


A História, como disciplina de enaltecimento dos poderosos de plantão, está condenada à morte por excesso de estupidez. A visão crítica dos conquistadores, dos alexandres e dos napoleões, dos césares e dos stalins impõe-se como única saída para os historiadores recuperarem a sanidade. Chega de ensinar à juventude que os heroísmos constituem o sal da trajetória humana. Chega de ensinar à juventude que os poderosos devem continuar determinando os caminhos do homem. O poder é, por natureza, corrupto e corruptor. Mesmo por trás das grandes boas intenções, há sempre o lado obscuro da derrota dos adversários e, quase sempre, sua consequente eliminação física ou de qualquer outra natureza. As paredes dos palácios dos governos, erguidas com o suor e sangue dos operários e dos anônimos do mundo, escondem mais tragédias e feitos vergonhosos do que a meia dúzia de atos heróicos que costumam aparecer nos compêndios escolares da história oficial. Recuperar o ideário republicano, no seu sentido político mais profundo, deve ser uma das preocupações,digamos, acadêmicas e conceituais, do historiador moderno. E isso implica tornar claro ao cidadão o que ele precisa fazer e conhecer para se tornar dono de si mesmo e não cometer as bobagens que o sistema democrático permite que ele cometa, porque, se há consistência teórica nos modelos de democracia participativa, há ainda muito que avançar no que se refere ao seu sistema formal. As falhas do modus operandi da democracia exigem uma reflexão profunda e um lento processo de convencimento das massas e de seus representantes para elaborar medidas aperfeiçoadoras do sistema, que minimizem os efeitos de escolhas desastradas ou, até mesmo, as evitem, num futuro próximo.



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