TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

DEUS É UM GENE



(Brueghel - netherlandish proverbs)




A genética não é apenas a ciência do futuro, mas será através dela que o homem se libertará das superstições que fazem de sua história um misto de horror e vergonha. A genética libertará o homem dos deuses, ao confirmar para todos a origem biológica da vida, sem intervenção de forças divinas. Deus está no gene. Ou, melhor, deus é um gene. A cadeia da vida revelará o passado do homem e descortinará seu futuro. Ainda provocará muita polêmica, mas sobreviverá ao obscurantismo que deseja engaiolar a genética, mas as experiências laboratoriais, feitas dentro de uma ética humana e não divina acabarão prevalecendo e propondo para o homem dilemas até então impossíveis. Um desses dilemas será a intervenção humana para controle de doenças, de deformidades e, consequentemente, da melhoria do código genético da humanidade, o que contribuirá para acelerar o processo evolutivo da raça humana. Um outro dilema consistirá na adequação da população à capacidade do globo. Um controle populacional, eugênico, será posto em prática, como política de salvação do gênero homo sapiens, o que vai gerar, no começo, muita discussão e polêmica, mas será a única saída para manter as condições da Terra favoráveis à existência do homem. O globo não suporta níveis elevados de população. Não faz sentido termos uma humanidade de dez, vinte ou mais bilhões de pessoas, com uma quantidade insuportável de miseráveis e famintos por causas estruturais, por ser impossível haver produção suficiente de alimentos e de condição de vida minimamente decente. Uma visão objetiva, não deísta, deverá prevalecer, para que a explosão populacional seja contida. Não se trata de adotar políticas de controle populacional para acabar com os miseráveis, mas para acabar com a miséria. Os recursos são escassos ou finitos e deles depende a sobrevivência genética do homem. Não adianta, nesse caso, nenhum tipo de raciocínio ideológico. Não haverá paz, nem democracia, nem melhoria de condições de vida para todos, com uma população que exceda os recursos possíveis de serem produzidos. Isso é lógica, não ideologia. Porque o homem compreenderá que não há possibilidade de igualdade absoluta, de que todos os homens tenham exatamente as mesmas probabilidades de vida. Também não consentirá que permaneça o atual estágio de capitalismo selvagem. A distribuição melhor da riqueza, numa espécie de socialismo não-utópico, realizado dentro de leis mercadológicas mais humanas, tornar-se-á o caminho único para a própria sobrevivência do homem. Se esse sistema atual permanecer por muitas décadas, aprofundando as diferenças, o risco de levantes dos miseráveis contra os mais ricos fará das guerras anteriores da humanidade parecerem brincadeira de criança, pois a barbárie total será o mote dessas lutas, com um tão forte conteúdo iconoclasta e destruidor que pode mergulhar a humanidade num longo período de descontrole e trevas, com a desorganização de todo o aparelho de controle social, com a destruição de conquistas longamente acalentadas. E isso atrasará por alguns milênios a capacidade civilizatória do homem. Assim, não vejo saída senão a adoção, e isto dentro do mais breve espaço de tempo possível (no máximo, em um ou dois séculos), de políticas sociais de inclusão e de controle da quantidade de miseráveis no mundo. Isso porque eu acredito que, não havendo possibilidade da igualdade absoluta, sempre haverá miseráveis. Mas esses devem permanecer na cota dos que não se integram, dos marginalizados, dos que se mantêm, por motivos tribais, religiosos, culturais, em oposição à idéia de viverem num mundo em que se acham deslocados. No entanto, esses bolsões de pobreza e miséria, que constituirão uma exceção, poderão ser controlados através de políticas sociais que não permitam que eles cresçam e ameacem a sociedade. Serão os excluídos de um quase paraíso, mas, adotados pelas populações mais abastadas, terão o seu direito de exclusão respeitado e, de certo modo, sobreviverão, como um resquício de um mundo antigo, arcaico e cruel. Serão anomalias consideradas “normais” e assimiladas pela sociedade.

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