TRAPICHE DO ATEU

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

CASTAS SACERDOTAIS DEÍSTAS



(Barahona Possolo)



necessidade de pregação que toma de assalto a mente dos sacerdotes deístas e a necessidade de conversão dos ímpios e descrentes por parte de cristãos, budistas, islâmicos ou qualquer outra crença deísta são, sem dúvida, um outro grande mal desse tipo de pensamento. Não basta crer e fundar sua crença. É preciso convencer os outros e fazê-los participar ou comungar de suas idéias e de suas cerimônias. O cerimonial deísta é sempre muito variado e sempre muito sugestivo. Tem por objetivo hipnotizar as mentes, sugestionar os sugestionáveis, atrair pela organização e pela possibilidade de ascensão e exposição social em um ordenamento hierárquico de cargos e funções que estimulam a vaidade humana e o desejo de prevalecer e de ser mais entre seus pares, que é típico da condição humana. Por isso, toda igreja, por mais simples e menor que seja, tem sempre uma ordem, uma hierarquização, um sistema de castas falsamente democrático, que busca estimular o crente a seguir determinadas regras para obter determinadas benesses junto ao deus ou ao sacerdote principal. A humildade, geralmente apregoada por todos os sacerdotes, de todas as religiões, tem por objetivo quebrantar o ânimo dos mais afoitos e disciplinar o rebanho à obediência cega. E são muitos os subterfúgios de que lançam mão os fazedores de crentes para manter o rebanho em harmonia com os princípios da sua igreja. Podem ser de natureza meramente espiritual, com uma série de ameaças de punição, até a promessa de uma vida utópica e maravilhosa depois da morte. Com isso, quase sempre faturam o suficiente para si e para o deus, ou seja, a igreja tem de expandir, de mostrar força, de erguer templos e cobrir-se de ouro, para que os fiéis se sintam mais protegidos, ao ver que o deus recompensa o seu esforço com a riqueza ou grandeza de suas instalações. Não há exemplo de igrejas ou seitas que progrediram sem o esforço extraordinário de seus seguidores para erguer sistemas concretos de projeção de sua fé. Os fiéis podem ser mantidos em círculos primitivos de pensamento ou de condição social, mas não a casta sacerdotal, sempre muito bem nutrida e muito bem acondicionada em suas mansões, em seus templos e gozando de todas as comodidades que condenam em seus fiéis. A hipocrisia é, portanto, o lema, a bandeira mais consistente das classes sacerdotais, dentro do sistema deísta. Os líderes religiosos posam de grandes homens, de sábios ou de grandes ascetas, mas a verdade é que, na sua maioria absoluta, são profundamente egoístas, ególatras e ambiciosos. Temem qualquer ameaça ao seu poder, a que se agarram com unhas e dentes. Fazem de tudo para serem cortejados e para influenciar na vida diária de todos os cidadãos. Opinam sobre tudo e mantêm sempre o ar de profunda sapiência, mesmo quando destilam a mais infame mentira, para que sua autoridade se sobreponha até mesmo à autoridade de chefes de estado legalmente constituídos. Impingem à sociedade suas ideias retrógradas, escondendo-se atrás do argumento de que são representantes do deus e, por isso, atribuem-se qualidades acima dos vis mortais, fazem-se sagrados, e, por serem sagrados, são intocáveis. Sua presença daninha corrói por dentro as sociedades, os sistemas políticos e a própria ideia de democracia. Por isso se acomodam a qualquer sistema: tanto bajulam os líderes democratas como se juntam aos ditadores de qualquer ideologia e se sentem bem ao seu lado. O verdadeiro sentimento religioso dessa malfadada casta de dirigentes é o amor ao poder e ao dinheiro. No fundo, são os mais lúcidos homens do planeta, pois, através da mentira que criaram, conseguem sobreviver e manter uma vida invejável de luxo e luxúria segundo os seus desejos mais torpes. O deísmo torna-se, por isso, a mais antidemocrática das crenças humanas, apesar de ser a democracia um processo complexo e, possivelmente, utópico em seu conceito mais puro.



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