TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

POLÍTICAS EXCLUDENTES



(Salvador Dalí - head of flowers)


Em termos políticos, grassam por todo o globo ditaduras fascistas das mais diversas colorações, com perseguições e torturas para todos os gostos, sem que o homem consiga se livrar delas, preso que está pela situação econômica de pobreza e miséria e pela situação social de desagregação e ignorância. Por outro lado, a democracia tem falhado constantemente em seus aspectos formais, em que pese ser o sistema até agora menos propenso a escravizar o homem. O sistema de governo democrático não tem, contudo, obtido vitórias significativas no campo social. Se permite, por um lado, a participação de amplos espectros da comunidade, quando distribui os recursos, geralmente o faz de forma excludente, sem que aqueles que participaram do processo tenham voz ativa na execução dos programas de governo. E a pobreza e a miséria mantêm o povo na ignorância de seus direitos, sem que nada se faça para tirá-los dessa situação. Os ricos continuam ficando cada vez mais ricos e os pobres ganham apenas a compensação de promessas nunca cumpridas. O fosso entre as classes se aprofunda, mesmo com o fantástico sistema de comunicação, que permitiria, teoricamente, que os mais fracos tivessem acesso a seus direitos, mas a ignorância, mantida por um sistema educacional incompetente, apesar de estar milhões de anos luz à frente do sistema medieval, impede que as populações reivindiquem de forma contundente e correta a resolução de seus reais problemas, pois nem mesmo conseguem, essas populações anestesiadas pela ignorância, diagnosticar as causas e soluções para suas agruras. O sistema democrático deverá ser aperfeiçoado em seus aspectos formais, para que se possa testá-lo efetivamente como um sistema confiável e definitivo para o homem, mas isso só será possível quando forem banidas a ignorância e o analfabetismo e diminuída a interferência do deísmo paralisador no seio das populações mais pobres. O critério cristão de caridade deve ser substituído por políticas claras de inclusão social. O pobre não prescinde da caridade do estado, instituída através de programas sociais de tiro curto, indispensáveis num determinado momento, mas condenados ao fracasso se se tornarem política social definitiva. O que tem de ser feito, em termos definitivos, é melhorar as condições de vida da população, através de políticas de distribuição de renda, cujos princípios e, até mesmo, processos, todos têm na ponta da língua, mas que ficam entravadas nos gabinetes burocráticos de governos de aparência e ideologia democrática, mas fortemente presos a compromissos econômicos com grupos que são os verdadeiros donos do capital e, por conseguinte, os verdadeiros governantes.



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