TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

OUTROS CAMINHOS


(Hassan Farahani - chuva)


Destruir o cristianismo não implica negar sua relevância na história do homem. Há um acervo imenso de obras cristãs no terreno de todas as artes. E isso não se pode destruir. No entanto, se não tivesse existido o deísmo como um mito que se imiscui em todas as culturas, o homem teria trilhado outros caminhos para construir seu patrimônio histórico. Sua criatividade permitiria escolher outros caminhos inimagináveis agora, por estarmos contaminados pela longa trajetória deísta. Talvez fossem caminhos que não caíssem no julgamento moral do bem e do mal, o que seria um alívio imenso para o homem. A partir do momento em que se criou o conceito de bem e de mal, baseado na existência de deuses que punem e de deuses que abençoam, o homem caiu na estrada do moralismo e isso foi sua perdição. Quando deus e o diabo passaram a disputar as almas, jogaram o homem no caminho do preconceito, da intolerância e do ódio. A máxima cristã do “amai-vos uns aos outros” tentou mascarar esse moralismo, mas ninguém ama o diferente. E, se é diferente, não pode ser bom. O moralismo impede que o homem enxergue a si mesmo no outro, por mais estranho que o outro seja, num primeiro contato. Assim como, em termos genéticos, há mais semelhanças do que diferenças entre as criaturas vivas, pode-se pensar que entre os humanos há infinitamente mais semelhanças que discordâncias. Os aspectos exteriores de cor da pele, dos olhos, dos cabelos etc. são irrelevantes diferenças genéticas, que se tornam desprezíveis. O ser humano tem na variedade e diversidade aparente o poder de seu predomínio na terra. Graças a essas tão pequenas diferenças, pôde sobreviver a todos os climas e a todas as modificações por que passou o globo terrestre desde que ele surgiu. É o homem a espécie predestinada a conquistar outros mundos e manter a vida. Mas, para isso, precisa evoluir em todos os sentidos, principalmente abandonar filosofias moralistas que pregam a exclusão e aceitar a vida tal como ela é, sem subterfúgios deístas, sem instrumentos cristãos, muçulmanos ou de qualquer outras teorias e seitas moralistas. Quando isso acontecer, a vida passará a ser valorizada em todos os seus aspectos, como o mais precioso bem que se pode ter.



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