TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

FÉ, PILAR DO DEÍSMO






Se formos pensar na origem das crenças deístas, de como o homem primitivo construiu pouco a pouco todo o imaginário que deu origem a todas as religiões, teremos de concordar que há milhares e milhares de anos de impregnação de conceitos, de usos, de costumes e de princípios na mente do homem. Desde as pinturas rupestres até a invenção da escrita e, depois, com a possibilidade de transmissão do conhecimento para as gerações posteriores, o homem passa e repassa as mesmas crendices que, tal qual um fóssil numa pedra, imprimiram nos neurônios de nosso cérebro uma marca indelével. Se pensarmos na literatura existente, quase tudo que o homem escreveu até agora está impregnado de conceitos deístas, está impregnado de crenças e crendices consideradas verdades universais que, por isso, não precisam ser contestadas, mesmo que não possam ser comprovadas. O pior é que, quanto mais se fala contra o deísmo, mais crentes se tornam as pessoas. Não há processo de convencimento que funcione, quando se trata de combater as ideias deístas. As pessoas argumentam com uma das justificativas mais difíceis de serem trazidas para uma base lógica: a fé. A fé realmente remove montanhas. Remove para cima de quem a utiliza como argumento todo o lixo deísta que vem dos primórdios do homem até os dias de hoje. E não haverá mais nada que se possa dizer ou fazer, para que a pessoa consiga sair de sob essa montanha. Por isso, sabiamente, um dos pilares do cristianismo (e, por extensão, das demais seitas e religiões de todo o mundo) seja a fé. Como não há conceito lógico para a fé, ou seja, é impossível defini-la, por se tratar de algo absolutamente abstrato e de foro íntimo (o que a torna muito conveniente), não há também como combatê-la no terreno da argumentação, da lógica. A fé é a grande cortina negra que mantém mais fechado ainda o homem dentro das trevas obscurantistas. Não se divisam, de imediato, frestas por onde entrar alguma luz, seja da ciência, seja da lógica. Como uma tartaruga, o homem coloca para dentro de si mesmo sua capacidade de raciocínio e de tirocínio, quando se trata de argumentos que abalem a sua fé. Por isso, os cientistas, mesmo os mais esclarecidos, mesmo os que não professam crenças deístas, têm dificuldade de colocar a ciência acima da fé. E os filósofos, que têm argumentos e capacidade para isso, não alcançam a popularidade necessária para sequer abalar um átomo do edifício deísta.



Um comentário:

  1. "Você não quis dizer TEÍSTA?"

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