TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

sábado, 10 de abril de 2010

IRRACIONALIDADES



(Marjorie Weiss - Joe's black dog)


Ao ganhar racionalidade, o homem primitivo acabou usando essa racionalidade para criar irracionalidades, já que com ela ganhou também a capacidade de imaginar, de sonhar e de inventar. Os animais também têm seu grau de racionalidade, de compreensão do mundo, senão não sobreviveriam. O homem, no entanto, ganhou esse algo mais, a capacidade de imaginação e de invenção. E, em cima dessas capacidades extraordinárias, ainda acrescentou a ação. Se não há causa perceptível para o fenômeno contemplado, não custa imaginar e inventar uma causa, através da possibilidade de ação. Assim, por exemplo, o homem aprendeu que bater com a pedra na cabeça do outro deixava-o sem vida. Isso é causa e seu efeito. Mas ele não compreendia o que era a massa inerte diante de si. Porque não compreendia a vida, também não compreendia a morte. Para justificá-la, imaginou e inventou rituais que pudessem trazer de volta a vida: desde a ação de devorar o morto até o seu sepultamento. E imaginou que, de alguma forma, as suas ações tornassem o morto menos morto. Já que ficava em sua mente a lembrança do morto. Talvez assim tenha nascido em algum momento do passado remoto a crença de que a lembrança fosse uma espécie de “alma” que não morre. E o conceito de vida além da morte acabou se instalando na mente do homem, como uma forma de compensar a tristeza da perda. Imaginar deuses e outros seres donos do destino humano foi questão de evolução do pensamento primitivo na tentativa de entender a morte. E assim, as superstições e demais invenções e imaginações humanas geraram teorias complexas de deuses e olimpos, de doutrinas absurdas e explicações mágicas para a única mágica à disposição do homem, a vida.


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