TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

ARMADILHAS DO PENSAMENTO




(Rafal Oblinski - summer marriage)


A armadilha de que falamos deve ficar um pouco mais clara. São armadilhas do pensamento humano as crenças ilógicas, as superstições absurdas, as religiões e o desejo de entender e resolver o mundo através do pensamento mágico. O homem ainda crê que é possível quebrar a relação causa e efeito. Assim, mergulha sua capacidade criativa na vontade de sobrevivência, ritualizando a vida, praticando magias através de cultos inúteis e crendo em deuses e espíritos e em vida além da morte. São ritos que não trazem nada de bom para o homem, ou por mergulhá-lo em preconceitos excludentes ou por serem inúteis. Não me adianta dançar uma dança, por mais bonita que seja, no terreiro de minha casa, que isso não vai trazer nuvens e provocar chuva. Se chover, não terá sido pela minha dança, mas por um simples acaso e por circunstâncias da natureza, já que chover é algo que ocorre de vez em quando. E pode muito bem ocorrer enquanto eu estiver dançando. A necessidade de magia tem mantido o homem envolto em trevas de que ele precisa livrar-se, para realmente começar a ter alguma percepção real do mundo que o cerca. Nenhum ser humano está livre do pensamento mágico, até agora. Porque somos condicionados a ele e por ele. No nosso dia-a-dia, a todo instante podemos nos surpreender tendo pensamentos mágicos. Mesmo os mais céticos. Quem já não teve o vislumbre de, ao ver, por exemplo, os mesmos números repetidos em várias placas de carros, pensar em jogar na loteria esses números e ficar milionário? Ou de ter um parente remoto e desconhecido que nos deixe uma fortuna? Ou que o amigo há muito perdido retorne de repente numa tarde de primavera? O pior é que isso – e muitas outras coisas aparentemente inexplicáveis – ocorrem, porque assim é a vida, cheia não só de som e fúria, como disse Shakespeare, mas de zonas cinzentas e coincidências absurdas que reforçam em nós, pequenos idiotas do cotidiano, a idéia de que forças mágicas dominam nossas vidas ou convivem conosco, mudando nosso destino. E que bastam alguns salamaleques ou alguns gestos mágicos para que essas forças se manifestem.


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