TRAPICHE DO ATEU

UM BLOG DE ECOLOGIA MENTAL. PARA REPENSAR O HOMEM E SUA RELAÇÃO COM A VIDA E COM O MUNDO.

domingo, 18 de abril de 2010

AMAR UNS AOS OUTROS




(Pierre Loeb - musicens afghans II)

O cristianismo não tem novidades filosóficas, em relação a seus antecessores. Remontou em máximas de fácil aceitação o que há muito existia em religiões orientais e no judaísmo antigo. Mesmo a ideia de amar uns aos outros já existia em dogmas anteriores. Ao acrescentar “tanto quanto eu vos amei”, sendo aí esse “eu” o do fundador, não há nenhum acréscimo significativo, porque é impossível medir uma quantidade de amor. No entanto, essa máxima tem sido um dos pilares do cristianismo. E também um dos seus maiores problemas. Porque ninguém consegue amar o outro. A louca vontade de amar o outro esbarra em obstáculos intransponíveis: o homem não foi talhado para amar o outro, porque, desde os primeiros tempos, no seu código genético, está escrita a desconfiança para com o diferente. Superar essa desconfiança tem sido um dos maiores esforços da humanidade para atingir um grau razoavelmente civilizado de convivência. E isso exige um esforço imenso do cérebro humano, novas sinapses e novas relações químicas têm de ser ativadas para chegar à compreensão do outro e maior esforço ainda para a sua aceitação. Além disso, o conceito de amor, um dos mais sofisticados sentimentos produzidos pela química cerebral, é muito recente na genética humana. Provavelmente, o amor tenha sido desenvolvido pela fêmea para proteger o seu filhote e, depois, num lento processo de convencimento e de transmissão genética, ela fê-lo chegar ao macho, como necessidade monogâmica de proteção ao clã. Portanto, o sentimento de amor é despertado para com o outro apenas enquanto o outro seja visto como o companheiro ideal e para com alguns dos demais membros do clã ou da família, em termos modernos. Quando muito, o amor se estende a um “amigo”, tratado como um ser que não pertence ao clã, mas que pode eventualmente ajudar a proteger esse clã e nunca o ameaçar. Assim, o amor ao próximo pode, quando muito, traduzir-se em reconhecer o próximo, desde que não haja ameaça. É impossível amar o inimigo ou, mesmo, o desconhecido. Porque tudo quanto é desconhecido pode tornar-se inimigo. Então, se não consigo amar o inimigo, por não o conhecer, o sentimento mais próximo é o desprezo e, depois, o ódio. Ou, então, crio um falso amor ao inimigo que me leva a destruí-lo, como uma forma de compensá-lo por ser diferente e não alcançar, como eu, os benefícios prometidos por meu deus àqueles que o louvam e adoram. Ou ainda: como não consigo amar o inimigo, desumanizo-o. Desumanizando-o, posso destruí-lo como aberração, como obstáculo aos desígnios de meu deus. E assim, seguem as guerras e uma boa desculpa para a sua existência.


Um comentário:

  1. amigo, se nao fosse possível amar uns aos outros, nao existiria este mandamento!vc pois mt limite nesta frase, somos capazes de amar uns aos outros, claro se tivermos força de vontade, sbemos que se nao tivermos força de vontade nao conseguiremos nd! e só acreditamos que nao é possivel amar un ao outro, se tivermos inimigos, e só teremos inimigos,por que fizemos algo que ele nao gostou!

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